O cenário do design e da ilustração no Brasil – Análise de Mercado

Como uma atividade que permeia os serviços, a indústria e a arte, o design transita por diversos setores ora como uma força inovadora, ora como parte do processo de produção. Nesse sentido, o Brasil ainda não desenvolveu uma identidade muito definida perante o cenário globalizado, mas, ainda assim, pode ser visto como uma potência criativa, dada a riqueza cultural e o grande destaque que vem recebendo em premiações internacionais relativas a criatividade, como através de prêmios publicitários no Festival de Cannes Lions e prêmios de design no iF Product Design Awards.

Além disso, convém avaliar o cenário atual para trilhar um caminho viável para o design no Brasil. Para isso, utilizamos três estudos nacionais envolvendo design no Brasil: o “Diagnóstico do Design Brasileiro” (2014), “O Design no Contexto da Economia Criativa” (2015) e o “Mapeamento da Indústria Criativa no Brasil” (2016).

Ainda que haja estudos na área, mapear o design no Brasil é uma tarefa complexa, uma vez que grande parte dos profissionais inseridos na área atuam na informalidade, o que prejudica a coleta de dados precisos e, além disso, quando registrados, estão sob categorias que não traduzem sua real ocupação, o que pode ser relacionado a uma falta de reconhecimento da categoria por parte do Estado.

Como o design está nos dias de hoje ?

Atualmente, a profissão não é formalizada, sendo que as duas principais maneiras de atuação são como profissional liberal (ou seja, um “freelancer”), como empresário (seja através do MEI ou da Microempresa) ou como empregado de empresas que trabalham direta ou indiretamente com o design.

Assim sendo, no mapeamento realizado em 2014 no “Diagnóstico do Design Brasileiro”, o número de negócios formais de design no Brasil era 686 escritórios com 4,2 mil postos de trabalho, divididos nos seguintes setores:

Segmentos Porcentagem por segmento
Design Gráfico e Comunicação 38%
Design de Moda 2%
Design de Interiores 7%
Design de Produto 16%
Design Digital e Multimídia 22%
Design de Serviços 14%

Ainda nesse estudo, é possível observar uma tradição mais proeminente do design na área de produtos, sendo o setor mobiliário no Sul do país um grande destaque. Entretanto, é importante notar uma mudança relevante para a área: o crescimento da Economia Criativa como um todo.

Novas ideias que movimentam o design

Termo cunhado pelo autor inglês John Hopkins em “Economia Criativa – Como Ganhar Dinheiro a partir das Ideias”, a Economia Criativa é, segundo o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE) “o conjunto de negócios baseados no capital intelectual e cultural e na criatividade que gera valor econômico”.

Desse modo recentemente em expansão no Brasil, esse setor apresentou de 2013 a 2015 um aumento de 2,56% para 2,64% de participação na fatia do Produto Nacional Interno Bruto, número aparentemente pequeno, mas significativo se observarmos que ela gerou R$ 155,6 bilhões de reais para a economia brasileira e que o profissional da área ganhou, nesse período, cerca de duas vezes e meia mais que profissionais de outras áreas.

Acima de tudo, esse crescimento ocorreu durante a deflagração da crise econômica brasileira, o que reforça a ideia de que a inovação tem sido a principal ferramenta para tornar empresas mais competitivas em cenários de instabilidade.

Tabela da economia criativa

Eixos da Economia Criativa Consumo Publicidade
Arquitetura e engenharia
Design
Moda
Cultura Expressões culturais
Patrimônios e artes
Música
Artes cênicas
Mídias Editorial
Audiovisual
Tecnologias Pesquisa & Desenvolvimento
Biotecnologia
Tecnologias da Informação e Comunicação

Fonte: Firjan, 2014

Como resultado, nesse cenário o design aparece, dentre os 13 segmentos da Economia Criativa, como uma tendência, representando 81,9 mil dos 376,3 mil dos empregos formais no segmento consumo.

A ilustração

Assim como o setor de design, o mercado de ilustração carece de fontes que mapeiem o cenário nacional atual. Ainda assim, é possível utilizar o “Mapeamento da Indústria Criativa no Brasil” como parâmetro para entender seu funcionamento. Por conseguinte, pode-se observar a categoria “Artista (artes visuais)” inseridos no segmento “Patrimônio e Artes” do núcleo “Cultura”. Em princípio é nesse núcleo que se encontra o menor número de profissionais formais, sendo os mais bem remunerados dessa área localizados no eixo Rio-São Paulo. Além dessas informações, não há uma melhor especificação do profissional da área ou de suas atribuições.

Só para exemplificar, a SIB (Sociedade dos Ilustradores do Brasil), fundada em 2011, o principal órgão de representação dos ilustradores, parte dela a base para diretrizes da atuação profissional, embora não esteja adaptada à realidade do mercado e seja pouco inclusiva para com ilustradores iniciantes. Ainda assim, há em realidade pouco consenso sobre precificação, direitos e protocolos, que vêm sendo construídos cotidianamente via troca de informações entre profissionais da área.

As áreas da ilustração

Em conclusão, a plataforma online Design Culture divide a ilustração em quatro ramos: a ilustrador digital, a ilustração 3D, a ilustração tradicional e o mural, condensadas nas características a seguir:

  • Ilustração digital: é o mais acessível dos ramos, uma vez que o valor de entrada é baixo e o treinamento do profissional pode ser realizado em pouco tempo. Além disso, é o preferido do mercado por tornar mais fácil alterações e revisões, o que também o torna o ramo mais competitivo.
  • Ilustração 3D: demanda uma qualidade maior de aprendizado para adentrar nesse mercado e, por isso, é um dos ramos melhor remunerados. Além disso, é preciso um investimento financeiro maior para tornar o trabalho possível, mas a tendência é que o avanço das tecnologias proporcionam uma queda nesse custo no futuro.
  • Ilustração tradicional: devido à pouca praticidade e um custo maior de investimento em material e profissionalização, a ilustração tradicional tem um espaço relativamente menor no mercado, mas seu valor como arte continua elevado.
  • Mural: costumam ser também ilustradores, quadrinistas ou designers e fazem murais, painéis e intervenções. Igualmente, seu trabalho costuma envolver a ida até o local para realização do trabalho, o que se diferencia dos outros ramos. Dessa maneira, muitas grandes marcas contratam o muralista para realizar intervenções junto delas, mas o trabalho por vezes não é bem remunerado.

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